Um novo banco foi lançado na Estônia e, até mesmo no cenário bancário ultramoderno do país, é realmente algo completamente novo. Diferente dos outros bancos, o Banco da Felicidade (Õnnepank) é um banco online sem quaisquer operações de balcão. Um simples clique é tudo o que é preciso para se tornar um de seus clientes. Sendo um resultado da crise, está fundamentado no princípio da solidariedade para com os outros e nas "boas ações" como formas de valor que podem ser trocadas. O objetivo do Banco é promover valores não-monetários. Os usuários registrados descrevem o que eles estão dispostos a fazer para que outros os ajudem. Há uma longa lista de "boas ações" disponíveis: serviços de babá (baby-sitter), passear com o cão, conserto de torneiras, limpeza de janelas, costura, ajudar a elaborar um CV, etc. Os clientes são identificados pela sua carteira de identidade e aqueles que não têm acesso à Internet podem telefonar para um "Chefe da Felicidade local" para obter ajuda. A iniciativa é baseada na confiança mútua e na boa vontade. Os serviços do Banco são grátis. Ele tem sua própria moeda - a "Estrela da Gratidão" e uma boa ação vale uma Estrela. A gratidão e o reconhecimento são os dois lados da moeda para esta forma de "dinheiro", cujo valor simplesmente não pode ser estimado.
Aqui, mais uma vez, a Estônia mostra que atuar como um laboratório para o experimento social é o que ela mais gosta de fazer: É interessante observar que a Estônia é um país onde a crise do Vínculo Social pode ser menos aguda do que na maioria das grandes áreas metropolitanas ou países considerados ricos. Por conseguinte, não deve ser surpresa que ela se mostre mais fácil de mobilizar e tenha acesso a uma fonte enorme de produtividade local baseada nos princípios da solidariedade ou da economia social. O primeiro passo, sem dúvida, tem que ser re-estabelecer a proximidade como um valor que seja tão importante na definição das estruturas sociais como a globalização tem sido para se desfazer delas. Uma pessoa, assim como a sociedade a qual ela pertence, tem que ficar em pé sobre seus dois pés, com um pé na esfera global e outro com uma posição firme local. A mobilidade é algo que só vai reforçar esta necessidade de uma abordagem bivalente. Surpreendentemente, parece que a Estônia pode já ter levado algo para o próximo nível. Neste nível, a valorização da proximidade dá origem ao desenvolvimento de uma microeconomia genuína. Esta microeconomia fundamentada sobre eco-sistemas locais é o único sistema capaz de mobilizar as várias fontes de energia ainda a serem descobertas e ter acesso a toda a riqueza e diversidade de recursos disponíveis para nós na nossa proximidade imediata. A constatação que nos leva direto ao cerne da questão da "sociedade sustentável".
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