Como tornar o serviço lucrativo

A grande questão que paira sobre todos nos negócios de computação social móvel é como torná-la lucrativa. De fato, algumas pessoas podem até duvidar se é possível fazê-la dar retorno de alguma forma. Como revela a experiência japonesa, contudo, ganhar dinheiro com ela não é problema quando os consumidores já estão acostumados a pagar por bens e serviços usando os sistemas de cobrança do telefone celular.

O mercado com certeza acha que tem dinheiro na rede social móvel. A Gartner, empresa de pesquisa em tecnologia, recentemente divulgou que, apesar de não ter faturamento por si só, o Twitter atraiu um investimento de 100 milhões de dólares, com base em uma avaliação de 1 bilhão de dólares. Mas até mesmo esses números ficam modestos, se comparados com os do Facebook, que no final de 2007 convenceu a Microsoft a fazer um investimento que avaliou a empresa em 15 bilhões de dólares.

Ambas as avaliações foram possíveis graças a um crescimento maciço no número de usuários das duas empresas em períodos de tempo relativamente curtos. Em um período de 12 meses, por exemplo, o número de usuários do Twitter passou de três milhões para 30 milhões, enquanto o número de usuários móveis mensais do Facebook passou de 20 milhões para 65 milhões em apenas oito meses. Antes de estourar a bolha das empresas .com, os investidores da internet costumavam cantar o mantra "o conteúdo é quem manda", mas hoje esse mantra poderia ser pragmaticamente substituído por algo como "aonde os usuários vão, o dinheiro vai atrás".

As últimas previsões sugerem que o faturamento total dos serviços móveis passará de um trilhão de dólares em 2013, enquanto o faturamento com voz vai caindo. Mark Newman, Diretor de pesquisa da Informa Telecoms & Media, afirma: "O crescimento da receita com dados está sendo estimulado pelo aumento na adesão a tecnologias mais avançadas e serviços de banda larga móvel, bem como novas interfaces de telefone celular e estratégias de conteúdo móvel baseadas em lojas de aplicativos em vez de ambientes fechados". De fato, a empresa de pesquisa Juniper tem previsão de que haverá cerca de 20 bilhões de downloads de aplicativos móveis por ano até 2014.

De acordo com a Forrester, as empresas pioneiras que "entraram no mercado para criar comunidades 'feitas para o celular' em territórios emergentes(...) têm mais chance de dar certo". Isso se deve ao fato de que esses mercados não têm tanta participação no uso de PCs e que têm menor grau de percepção das grandes marcas, o que os países mais avançados tecnologicamente já dão como certo.

Não que possamos ignorar as grandes marcas quando se trata de resultado financeiro, porque é aí que encontramos a maior atividade em termos de atualização de sites e aplicativos para fornecer diferentes plataformas e dispositivos móveis. Depois da descoberta de que os números importam quando o assunto é ganhar dinheiro, não é de espantar que os fabricantes de telefone celular tenham corrido para fazer parceria com as grandes marcas. A Forrester prevê que a diferenciação do mercado ocorrerá conforme o "grau de integração do telefone celular com as marcas de rede social" – algo que a INQ, subsidiária da Hutchison Whampoa, por exemplo, está fazendo, posicionando-se como fabricante de aparelho celular social móvel.

As operadoras de rede também estão pegando carona nessa onda, inclusive porque (como já vimos) os usuários de computação móvel social tendem a se comunicar com muita frequência, e isso é bom para os negócios. A Orange, por exemplo, tem o serviço Social Life, que agrega acesso a várias redes sociais. No ano passado, a empresa divulgou que o número de usuários que acessam as redes sociais através da rede de internet móvel da Orange praticamente dobrou, para um pouco menos de um milhão por mês.

As únicas empresas que parecem estar tendo dificuldade para encontrar um nicho de mercado significativo no espaço social móvel são empresas como o Google, a Microsoft e o Yahoo!, que têm grande participação nos mercados de webmail e de troca de mensagens instantâneas, mas ainda precisam descobrir um jeito de transformar esse alcance em uma audiência social; elas ainda não possuem nenhuma receita oriunda de rede social. Mas isso com certeza será resolvido nos próximos anos, na forma de receitas advindas de dados e comunicações, publicidade, conteúdo de qualidade e, talvez o mais importante de tudo, maior fidelidade do usuário – especialmente no mercado notoriamente instável de telefonia celular e operadoras de rede, no qual a rotatividade de usuários é um problema perene.
 

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Uma questão de confiança

Se o mundo da computação social vai girar em torno do telefone celular, as operadoras precisam se posicionar como habilitadoras de confiança. Os consumidores já transferem para a operadora de rede móvel uma grande parcela de confiança para que elas protejam dados de voz, dados de mensagem de texto, informações de contato etc.. Só é preciso dar um pouco mais de crédito e confiar a elas a identidade digital on-line.