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Construindo uma Nação Eletrônica

Um grande número de iniciativas governamentais e uma base de assinantes móveis que cresce rapidamente estão tornando a Índia um mercado-chave para a inovação digital 
[Article coming from The Review, winter 2012 issue, author Swati Prasad]

Uma década atrás, Baburam Kumar veio para Gurgaon, um subúrbio de Deli, vindo de uma aldeia em Bihar com algumas centenas de rupias no bolso. Hoje, ele é dono de quatro lojas, cada uma equipada com máquinas eletrônicas de pesagem e faturamento, telefones móveis e fixos e máquinas de cartão de crédito. Um grande crente em tecnologia, este fornecedor de verduras quase analfabeto envia dinheiro para sua aldeia usando os serviços bancários telefônicos e a internet.

Você encontrará pessoas iguais a Baburam Kumar em todos os cantos do país. A Índia é uma terra de possibilidades e Kumar e seus concidadãos têm grandes sonhos. A tecnologia - de identidades eletrônicas à saúde móvel - está ajudando-lhes a realizar esses sonhos.

É um mercado promissor, para dizer o mínimo. Esta nação demograficamente jovem (a metade de seus 1,2 bilhão de pessoas têm menos de 25 anos de idade) está passando por várias iniciativas de regulamentação e de governo eletrônico que visam aumentar a conveniência e a segurança para os seus cidadãos. Enquanto isso, a Índia despeja milhões de graduados qualificados em tecnologia todos os anos, muitos dos quais se reúnem em suas megacidades tecnológicas, como Bangalore. Você também encontrará muitas outras coisas que contribuem para o sucesso das gigantes da tecnologia em todo o mundo. Na verdade, Ajay Bhatt, o inventor do USB e atual Arquiteto Chefe da Plataforma de Clientes na Intel, é indiano.
Os indianos também são entusiásticos adeptos da tecnologia. Por exemplo, o número de assinantes de telefonia móvel aumentou de 98.780 milhões em março de 2006 para 913.490 milhões em Julho de 2012, representando uma taxa de penetração de 76% em crescimento. Isto torna o país maduro para todos os tipos de inovação

Aqui, nós observamos algumas das áreas nas quais a tecnologia está transformando a vida dos cidadãos indianos.

Uma Identidade para todos

As Iniciativas de governo eletrônico têm um papel fundamental a desempenhar no país. A Índia, juntamente com outros países do BRIC, possui uma classe média em rápida expansão: de acordo com a empresa de análise Frost and Sullivan, espera-se que atinja 864 milhões em 2020.

No entanto, mais de dois-terços da população ainda vive em aldeias com serviços bancários, educacionais e de saúde inadequados. As novas iniciativas de governo eletrônico pretendem tratar destes desafios ao tornar o sistema mais transparente, ao mesmo tempo em que reduz a corrupção, a fraude e o papel dos intermediários - problemas comuns a muitas nações.

A iniciativa de mais alto perfil é Aadhaar - um programa de identidade que custará INR$ 180 bilhões (US$ 3,4 bilhões), de acordo com as estimativas oficiais. Administrado pela Unique Identification Authority of India (UIDAI) (Autoridade de Identificação Única da Índia), o Aadhaar é um número único de 12 dígitos que será emitido aos residentes que optarem por esta tecnologia . Até agora, mais de 200 milhões de pessoas se inscreveram. Além disso, o governo pretende inscrever todos os cidadãos indianos que têm mais de cinco anos de idade para criar um banco de dados de identidade conhecido como Registro da População Nacional (NPR).

Os números do Aadhaar serão armazenados em um banco de dados central seguro, integrando, desta forma, as informações básicas demográficas e biométricas - tais como registros faciais e impressões digitais - de cada indivíduo. Esses registros poderão ser facilmente verificados em um ambiente online,, permitindo que os departamentos governamentais de todos os cantos desta vasta nação possam ter as informações corretas sobre os cidadãos.

Este ambicioso projeto também tem seus desafios. Ele depende fortemente do acesso à internet.Felizmente, a penetração da Internet na Índia está crescendo - de 2,9% em janeiro de 2008 para 10,07% em agosto de 2012.
Enquanto o país trabalha para melhorar o acesso à internet ainda, as Carteiras de Identidade de Residentes (RIC) estão preenchendo a lacuna. Lançado pela primeira vez em 2007 e estendido depois dos ataques terroristas em Mumbai em 2008, o smart card RIC utiliza um chip microprocessador que transporta dados, fotografias e impressões digitais. Ele incorpora recursos de segurança como hologramas estampados e micro texto, e também pode ser usado off-line quando o acesso à Internet não está disponível.

As RICs trabalham em conjunto com o Aadhaar, porque elas contêm o número Aadhaar de 12 dígitos de cada pessoa para a verificação de identidade. As RICs também podem ser usadas para facilitar os programas de governo, o sistema de distribuição pública, os serviços eleitorais e outros serviços financeiros.

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Cartões mais seguros e mais inteligentes

A Índia é um dos países que apresentam o mais rápido crescimento no segmento de pagamento com cartão - o mercado tem registrado uma taxa de crescimento anual de 30% nos últimos cinco anos. Já existem 130 milhões de cartões em circulação e este número está aumentando rapidamente, devido ao consumo entusiasmado da classe média emergente da Índia. .

O mercado de cartões está se desenvolvendo com o apoio, entre outros pontos, de recursos de segurança incluídos nos cartões de pagamento. Os cartões da Índia, assim como nos Estados Unidos, ainda usam tarjas magnéticas, o que, segundo a opinião da maioria dos especialistas, deixa os cartões abertos à fraude. E com a fraude de cartão perdido, roubado e falsificado custando INR$130 milhões (US$2,37 milhões) ao ano, é necessária uma solução.

Ela está vindo na forma do padrão EMV (Europay, MasterCard, Visa), que utiliza um chip seguro e um sistema de PIN para deter os fraudadores.
A boa notícia para os consumidores (e bancos) é que o Reserve Bank of India (RBI) usou sua influência para apoiar o EMV, orientando os bancos a migrar para os cartões com chip EMV e outros cartões com PIN até 30 de Junho de 2013.

Outra solução poderia ser a informação biométrica que suporta o programa Aadhaar: o RBI sugeriu que a identificação biométrica baseada no Aadhaar pode ser usada ao invés dos PINs para todas as transações de cartões, inclusive em caixas eletrônicos e terminais de pontos de venda.

Autorização por telefone

Com o rápido crescimento da telefonia sem fio, os telefones celulares estão rapidamente emergindo como um importante ponto de acesso à Internet na Índia rural. A teledensidade nas áreas rurais apresenta um índice respeitável de 39,54% e, mesmo nos estados pobres da Índia, uma em cada três famílias rurais possui um telefone celular.

O governo indiano quer melhorar ainda mais esse índice e tem planos para oferecer a cada família que vive abaixo da linha da pobreza um telefone celular para incentivar a inclusão financeira (Leia o tópico "Levando os bancos às pessoas sem acesso às operações bancárias",).

Os consumidores da Índia também estão adotando os smartphones. Embora a Índia seja responsável por apenas 2,5% das vendas globais de smartphones em 2012, a IDC Asia Pacific diz que este número irá aumentar para 8,5% em 2016. E, quando isso acontecer, a tecnologia da comunicação em curta distância (NFC) será a tecnologia do momento.

Neste contexto, alguns participantes já estão à frente.. A Delhi Metro Railway Corporation usou sua influência para apoiar a tecnologia NFC, experimentando a venda de bilhetes NFC para os seus passageiros. No final de 2011, uma empresa anunciou que ela estava realizando projetos piloto para instalações de bem-estar social e microbanco baseadas na tecnologia NFC em diversas áreas de Mizoram, Andhra Pradesh e Uttaranchal. E para aqueles que não possuem smartphones habilitado com NFC, uma empresa com sede em Chennai lançou um adesivo NFC que pode ser usado para pagamentos móveis. Os usuários podem simplesmente colocar o adesivo nos aparelhos NFC Android dos lojistas participantes para efetuar o pagamento.

Assim, embora o interesse exista, a tecnologia NFC ainda está em um estágio inicial na Índia. Os bancos ainda precisam se equipar com a tecnologia que aumentará o eCommerce, usando a tecnologia NFC, e a infraestrutura precisa ser melhorada ainda mais para ajudar na adoção em larga escala.

A saúde móvel, por outro lado, está bem desenvolvida na Índia. De acordo com um estudo global feito pela PwC, a Índia ocupa o segundo lugar entre as economias em desenvolvimento na adoção da saúde móvel, também chamada e-saúde, que complementa os centros de saúde primários da Índia (PHCs), particularmente nas áreas semiurbanas e rurais. De acordo com a PwC, o mercado da saúde móvel na Índia valerá INR$ 31,8 bilhões (US$ 600 milhões) em 2017.

A saúde eletrônica já começou a melhorar o sistema de PHC no país. O Sehat Saathi, por exemplo, é um sistema de telemedicina rural que é usado para levar atendimento médico àqueles que podem estar a quilômetros de distância de um PHC. Um operador não-médico treinado coleta os dados - de electrocardiogramas a exames de função pulmonar - do paciente, que são, então, analisados e diagnosticados por médicos treinados de volta no PHC. No programa piloto em Kanpur, Uttar Pradesh, 700 pacientes receberam tratamento oftalmológico em um período de seis meses.

Se a Índia continuar em seu caminho atual, Baburam Kumar e sua família poderão se beneficiar não apenas das instalações da saúde móvel, mas, também, dos serviços públicos simplificados, dos pagamentos e remessas móveis fáceis e rápidas, e várias outras as formas de desenvolvimentos digitais. Com certeza, um futuro brilhante.

Levando o banco às pessoas sem acesso a operações bancárias

Na Índia, quase 40% das pessoas não têm acesso aos serviços financeiros formais e permanecem, em grande parte, sem acesso às transações bancárias - em parte devido ao fato de que apenas 38% das agências bancárias estão em áreas rurais. Para aumentar a inclusão financeira, o governo indiano lançou uma campanha chamada Swabhimaan. .

O programa usará vários modelos e tecnologias para garantir que haja instalações bancárias em áreas com mais de 2 mil habitantes. É tudo feito com correspondentes comerciais (BCs), onde os bancos contratam ONGs e instituições microfinanceiras para atuar como intermediários entre eles e os seus clientes..

A tecnologia móvel está desempenhando um papel fundamental nesta campanha. Os correspondentes comerciais utilizam dispositivos móveis que armazenam as informações dos clientes, desde impressões digitais a informações sobre contas. Os clientes recebem um número de conta, enquanto os correspondentes comerciais lidam com depósitos e liberam dinheiro. O governo espera que, com o tempo, os correspondentes comerciais poderão oferecer micro seguro e acesso a aposentadorias.

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Como a Índia rural está impulsionando o consumo

O consumo na Índia rural está crescendo mais rápido do que nas áreas urbanas, de acordo com uma pesquisa realizada pela empresa de classificação e pesquisa CRISIL. Em 2011/12, as pessoas nas áreas rurais do país gastaram INR$ 3,750 bilhões (US$ 69 bilhões) a mais do que no ano anterior, um valor significativamente maior do que o valor dos urbanos de INR$ 2,994 bilhões (US$ 55 bilhões).

Sustentando este crescimento no consumo rural está um forte aumento da renda devido ao aumento das oportunidades de emprego não-agrícola e aos esquemas de emprego do governo. Os dados da National Sample Survey Organization mostram que de 2004/05 a 2009/10, o número de empregos na construção rural aumentou 88%, enquanto o número de pessoas empregadas na agricultura caiu de 249 milhões para 229 milhões..