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​​​​​​Como as novas e antigas cidades usam a tecnologia para se tornarem mais eficientes?
[The Review, Edição 2 2013]

Transformando cidades antigas em cidades inteligentes 

Quase todo o crescimento da população mundial, composta hoje por 7,1 bilhões de pessoas,, de acordo com a ONU, ocorrerá em áreas urbanas. Apenas a China planeja gastar US$ 6,5 trilhões ao longo da próxima década na movimentação de mais 400 milhões de pessoas para as cidades e, até 2050, espera-se que 67% da população mundial viva em áreas urbanas, com até 86% das pessoas residindo em países desenvolvidos.​

Muitos acreditam que o futuro da raça humana depende da capacidade das nossas cidades sobreviverem a este rápido crescimento. O desafio delas é tornarem-se lugares ao mesmo tempo mais agradáveis para se viver e melhores na distribuição de mais recursos de forma eficiente entre um número maior de pessoas. Em outras palavras, elas têm que se tornar “inteligentes”.

 

A inovação na cidade moderna deve ser fundida na malha da cidade”, diz Thomas Sheppard da Presence Orb, uma empresa especializada em tecnologia de informação de presença. “Isto permite que todos nós nos sintamos não apenas confortáveis em um ambiente reconhecível, mas, também, que ganhemos outras funcionalidades disso. As cidades inteligentes, em nossa definição, são cidades que se adaptam aos seus moradores a fim de atender as suas necessidades a cada minuto”.

 

 
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Um dos exemplos mais extraordinários de uma cidade inteligente é o Bairro Empresarial Internacional de Songdo, na Coréia do Sul, que se intitula como “o maior empreendimento imobiliário privado na história”. Songdo é uma nova metrópole construída sobre uma ilha artificial e 56 km distante de Seul. Quando for concluída em 2015, a iniciativa terá totalizado 15 anos e abrigará 65 mil pessoas. Quase seis vezes esse número serão de pessoas trabalhando em Songdo quando ele estiver concluído.

Tudo em Songdo é projetado para ser inteligente. Todas as casas estão ligadas à banda larga de fibra óptica super-rápida e são conectadas com câmeras de vídeo de alta definição e pacotes TelePresence da Cisco Systems. A rede de energia da cidade é inteligente. Assim, os fornecedores de energia podem constantemente equilibrar o fornecimento de energia elétrica com a demanda. E, graças a mesma rede de feedback, os controles atmosféricos são ajustados em toda a cidade, espaço por espaço.

“A infraestrutura tecnológica subjacente que interliga todos estes edifícios permite alguns benefícios espetaculares, tais como a redução de energia em 30%”, explica o Diretor Administrativo da Cisco da Área de Consultoria de Comunidades Inteligentes + Conectadas, Casper Herzberg.

Tudo em Songdo é inteligente. Carros dirigindo ao redor da cidade são marcados com chips de identificação (RFID) de radiofrequência (RFID), retroalimentando um fornecimento constante de dados de tráfego para um pólo central para que todo o sistema de transporte possa reagir a pontos cegos e ajustar as informações sobre rotas para diminuir o congestionamento. Até mesmo a coleta de lixo é um exercício com tecnologia de ponta. O lixo úmido e seco é aspirado através de uma rede de tubos sob a cidade. Assim, não há caminhões de lixo coletando lixo das casas.

Transformando cidades antigas em cidades inteligentes

Embora países como Coreia do Sul e China estejam construindo novas áreas urbanas que inteligentemente monitoram e se ajustam a cada batida do coração dos seus cidadãos, na maioria dos países o desafio ainda é equipar os espaços urbanos já existentes com tecnologia moderna.Em tempos em que os orçamentos municipais estão bem justos, pode parecer surpreendente que as autoridades locais consigam justificar gastos em sensores e computação máquina a máquina (M2M).

No nível da cidade, alguns de nossos clientes vêem o retorno sobre o investimento ocorrer no primeiro ano ou um pouco mais, dependendo da aplicação específica”, diz o Chefe de Marketing do segmento M2M da Gemalto, Manfred Kube. “Ao conectar postes a uma rede inteligente, por exemplo, você pode realizar a manutenção remota e facilmente ajustar o tempo de iluminação diariamente, dependendo das condições meteorológicas. Assim, não há desperdício de energia”. Usos adicionais incluem acender as luzes da rua para rotas de se​rviços d​e emergência.

 

 
 

 

Até mesmo na Europa, com todos os seus desafios econômicos, o impulso para o desenvolvimento de cidades inteligentes está ganhando ritmo. A União Europeia está investindo fortemente no conceito e mantém um projeto de pesquisa permanente em áreas urbanas menores no site smart-cities.eu. Nos Países Baixos, por sua vez, Amsterdã ganhou o Prêmio World Smart Cities em 2012 por seu programa de dados abertos, que melhorou a acessibilidade ao redor da cidade. Graças à inteligência onipresente, o espaço de estacionamento, o táxi ou a ciclovia mais próxima está apenas a um aplicativo de distância, conforme a cidade coleta e envia dados para os seus cidadãos.

 

 
 

 

O desafio de promover a modernização (“retrofit”) de Amsterdã significa que a cidade está aberta a uma ampla variedade de parceiros e ideias. Os veículos elétricos estão cada vez mais populares, o que levou à experimentação de um sistema de carregamento. Conhecido como Moet je Watt, ele usará baterias inteligentes em conjunto com medidores inteligentes para otimizar os tempos de carga e a longevidade celular.

Até mesmo os banhos em piscinas estão sendo preparados para uma revisão, já que a autoridade local busca parceiros para reduzir o consumo de energia e contas de limpeza para as piscinas usando a inteligência em rede.

Uma das preocupações para a implementação das estratégias da cidade inteligente é a segurança dos dados. Escândalos recentes em relação a serviços de segurança tanto dos Estados Unidos, quanto da Europa, a popularidade de organizações “hacktivistas”, como Anonymous, e as antigas organizações criminosas envolvidas em roubo de identidade aumentaram a consciência pública sobre os perigos e responsabilidades envolvidas na coleta de grandes quantidades de dados.

A importancia da confiança

O ônus está sobre as empresas envolvidas em projetos de cidade inteligente para ganhar a confiança dos usuários finais. Stan Gale, Presidente e Sócio Administrador do principal investidor de Songdo, a Gale International, diz que os moradores, com razão, exigem saber que as vastas operações de coleta de dados que sustentam a cidade não estão sendo usadas para invadir a sua privacidade. “Nós não estamos rastreando os movimentos das pessoas”, diz ele.

Kube diz que a lição que as empresas devem aprender é que elas só têm uma chance de proteger os dados de seus clientes. “As pessoas têm que confiar que seus dados são confidenciais e privados”, explica ele.

Recentemente, nós vimos instalações M2M tornarem-se alvos atraentes para hackers. Portanto, há uma necessidade crescente de obter a segurança desde o início. Os sistemas devem ser seguros por projeto e não corrigidos com base em percepções tardias. Perder a reputação pode custar muito caro. E você tem que pensar no longo prazo com instalações M2M que estão no campo - um medidor inteligente pode ter uma vida útil de oito anos ou mais. A segurança terá que evoluir para atender às demandas futuras”.

Uma área que pode se beneficiar muito do pensamento da cidade inteligente é a medicina, uma vez que a melhoria da conectividade e os sistemas integrados podem ajudar a lidar com os desafios do envelhecimento da população. Monitores domésticos de pressão arterial, que transmitem dados para as equipes de atendimento e de cirurgia dos médicos, reduzem o número de consultas pessoais necessárias e reduzem o estresse do paciente.

 

 
 

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Em Bristol, no Reino Unido, a autoridade de saúde local está construindo um novo “super-hospital” que terá tecnologia inteligente de ponta em abundância. Um dos principais benefícios é o uso de “suites” (pacotes) para reuniões da equipe médica sênior, reduzindo a quantidade de tempo que os consultores devem gastar indo para diferentes hospitais ao redor da cidade durante o pico de tráfego.