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A biometria deve definir a resposta para algumas grandes questões como: privacidade do dados, consentimento e funcionamento dos serviços


​ A biometria oferece um enorme potencial para (re)imaginarmos uma ampla gama de processos de identificação e verificação.  

 

Ela já impacta profundamente os setores de gerenciamento de controle de fronteiras, comércio bancário e mobilidade. 

No entanto, esta tecnologia não vem sem seus desafios.

Como Isabelle Moeller, diretora executiva do Instituto de Biometria, sublinha nesta curta entrevista acima, a chave para uma implantação bem-sucedida está em encontrar as respostas certas para algumas das grandes dúvidas das empresas e usuários.

Ética e uma política efetiva de biometria

Como principal órgão representativo do setor, os principais objetivos do Instituto de Biometria incluem compartilhar as melhores práticas e promover o uso responsável da biometria nos setores público e privado.

Mas enquanto muito progresso já foi feito, Isabelle reconhece que "ainda há muita discussão que precisa acontecer sobre as vulnerabilidades desta tecnologia".

Falando um pouco sobre os termos técnicos, ela chama a atenção para o fato de que agora existem muitas ferramentas comprovadas disponíveis para reduzir o risco de sistemas biométricos serem enganados por fraudadores ou outros indivíduos mal-intencionados.
 

A questão central, acredita Isabelle, é a necessidade de abordar questões éticas mais amplas, como privacidade, consentimento sobre os dados compartilhados e o desvirtuamento da utilidade da tecnologia, em que os dados biométricos acabam sendo usados em aplicativos para os quais o titular nunca se inscreveu.

O que seria este desvirtuamento?

De um modo geral, o desvirtuamento de utilidade da tecnologia refere-se a informações coletadas para uma finalidade, mas usadas para outra. Ele pode ser motivado por várias razões (desde a inteligência do estado até motivações comerciais) e geralmente envolve 3 elementos:

  1. Um vácuo político
  2. Uma demanda insatisfatória de uma determinada função
  3. Um efeito catalizador ou uma aplicação secreta

Quando descobertas e divulgadas na mídia, essas histórias geram respostas negativas e surgem grandes alegações deste desvirtuamento da tecnologia. Eles também criam prazos muito curtos para que a sociedade - e a lei - reajam.

Defensores do consumidor estão evocando a ameaça de uma cultura de vigilância que acabará com a sociedade civil como a conhecemos. Grupos empresariais estão acusando a mídia de espalhar medos e reguladores de utilizarem-se de uma manobra política para destruir esta inovação.

Privacidade do dados

A orientação é necessária

Para todos os interessados, o Instituto de Biometria é uma fonte inestimável para orientação sobre a tecnologia.

Ao identificar a estratégia correta, Isabelle incita os provedores de serviços a não considerarem a biometria como uma resposta independente aos desafios multidimensionais da verificação de identidade.

Uma abordagem em camadas é essencial.

Ou, como ela mesma diz: "Estou confortável em acessar meu telefone utilizando a minha impressão digital... mas eu gostaria de transacionar £50.000 usando apenas uma impressão digital? Provavelmente não". Ela continua: "Uma abordagem multifatorial é, na maioria dos casos, o melhor caminho a percorrer".

Dada a velocidade com que as tecnologias relativamente novas estão sendo implantadas em aplicativos críticos em relação a segurança, Isabelle também reconhece a importância de todas as partes interessadas em se esforçarem para alcançar e manter os mais altos padrões de integridade. 

Nós só precisamos garantir, como uma indústria, de que não há notícias negativas divulgadas que vão influenciar na confiança do consumidor.

Um marco muito importante alcançado pelo Instituto de Biometria foi o trabalho em um Código de Privacidade para ajudar a fornecer os princípios práticos de privacidade recomendados para o uso de dados biométricos, abordando questões como consentimento do usuário, notificação e propósito.

Nós só precisamos garantir, como uma indústria, de que não há notícias negativas divulgadas que vão influenciar na confiança do consumidor.

O comentário segue revelações de que um julgamento da polícia de Londres que utilizava-se de reconhecimento facial gerou 104 "alertas", dos quais 102 eram falsos. A tecnologia de reconhecimento facial foi usada para escanear imagens de CFTV dos jogos dos times Notting Hill Carnival e Six Nations Rugby em Londres em busca de criminosos procurados pela justiça.

Outro julgamento da polícia de South Wales gerou 2.400 falsos positivos analisando as imagens de CFTV reunidas em jogos de futebol da UEFA, entre outros.

Também foram levantadas preocupações de que os recursos da polícia poderiam ficar "presos" em teorias ligadas a identidades falsas, isto porque os oficiais, em alguns casos, podem acabar questionando membros inocentes da multidão, que tenham sido acompanhados pelo software como identidades criminosas.

Biometria facial em particular, é uma tecnologia emergente, e para o público abraçá-la plenamente, a indústria precisa trabalhar duro para dissipar medos e construir confiança, enquanto, paralelamente, procedimentos e diretrizes devem ser debatidos e a legislação reforçada.

Uma breve introdução sobre o Instituto de Biometria

O Instituto de Biometria foi formado em 2001 para criar um fórum internacional independente e imparcial para compartilhar conhecimento, fornecer orientação sobre as melhores práticas e promover o uso responsável da tecnologia biométrica.

Ao longo dos anos, o Instituto de Biometria estabeleceu vários comitês para fornecer consultoria especializada e desenvolver guias para os membros. Hoje, existem quatro grupos de especialistas, incluindo grupos sobre Serviços Digitais, Privacidade, Inovação Tecnológica e Avaliações de Vulnerabilidade, além de dois outros grupos focados nos usuários, incluindo os Usuários Acadêmicos e Fronteiras e Programas Principais.

Hoje, eles possuem mais de 200 organizações membros localizadas em vários países e mantém escritórios permanentes em Londres e Sydney.

Os membros primários do Instituto são instituições governamentais e outros usuários de serviços e produtos biométricos.

No entanto, eles são acompanhados por muitos fornecedores líderes de mercado, garantindo uma troca saudável de ideias e experiências, tiradas da maior variedade possível de aplicativos e ambientes.

Para mais detalhes sobre o trabalho do Instituto de Biometria, por favor visite o site:  www.biometricsinstitute.org

Mais informações sobre biometria

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